'Faço esforço e meu corpo não entrega' esconde quatro contas diferentes

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A frase que resume anos de tentativa costuma juntar quatro situações clínicas diferentes numa queixa só, e cada uma delas pede uma conduta distinta.

A frase é uma só, e as situações por trás dela são quatro

Cinco e cinquenta da manhã, o despertador toca, o tênis está do lado da cama porque você deixou ali na noite anterior. Isso se repete há catorze meses, com poucas falhas, e a segunda-feira sempre termina na balança.

O número da balança é o mesmo da segunda anterior. Aí vem a frase, dita em voz baixa no banheiro: eu faço esforço e meu corpo não entrega. É a frase mais comum que chega numa avaliação, e ela esconde quatro histórias diferentes.

As quatro se parecem por fora porque todas terminam no mesmo lugar, o número parado. Por dentro elas não têm nada em comum, e é por isso que a mesma resposta genérica falha em três de cada quatro casos.

Antes de olhar as quatro, vale desmontar a premissa que todo mundo aceita rápido demais. A premissa é que o esforço já foi medido. Quase sempre ele não foi.

O termo deste artigoEsforço não medido

Todo esforço real e continuado que não tem registro comparável no tempo. Ele existe, custa caro e não entra na leitura clínica, porque não deixou nenhum número atrás de si.

A conta do que foi medido e do que ficou de fora

Faça esta conta com os seus números, porque ela costuma explicar mais do que qualquer exame novo. Se você caminha quarenta minutos, cinco vezes por semana, são 200 minutos, ou 3 horas e 20 minutos de exercício semanal.

No mesmo intervalo de sete dias você passou por 21 refeições principais e 7 noites de sono. Se nenhuma delas foi registrada, você tem uma frente com medida e vinte e oito eventos sem nenhuma.

E existe a parte que sai do bolso. Uma mensalidade de 180 reais por catorze meses soma 2.520 reais aplicados numa única frente, enquanto as outras seguiram sem custo e sem medição, o que é a pior combinação possível.

2.520reais investidos em catorze meses numa frente que tem registro, enquanto sono, refeições e circunferência seguiram sem nenhum número comparável no tempo.Conta aberta: 180 reais por mês multiplicados por 14 meses. Refaça com o seu valor real e com o seu tempo de rotina.

Ou seja, o esforço não está em dúvida. O que está faltando é o registro que transforma esforço em informação, e sem informação a consulta vira uma conversa de impressões contra impressões.

As quatro explicações, e como distinguir uma da outra

Cada uma das quatro deixa um rastro diferente. A tabela abaixo não fecha diagnóstico e não indica conduta, ela organiza a conversa que você vai levar para a avaliação.

ExplicaçãoRastro típicoO que costuma destravar
O resultado existe e a régua não captaPeso parado com roupa mais folgadaMedir circunferência e composição, não só peso
O esforço é real e está mal distribuídoExercício alto e refeições sem padrãoRegistrar sete dias antes de mudar qualquer coisa
Adaptação depois de perdas repetidasHistórico de várias dietas com reganhoRever expectativa de velocidade e revisar o plano
Existe frente clínica não investigadaSono ruim, cansaço, exames antigos ou ausentesInvestigação médica com pergunta definida

Repare que só a última linha depende de médico. As outras três começam com informação que você consegue produzir sozinha nesta semana, e é isso que muda a qualidade da primeira consulta.

O erro mais caro dessa fase

Responder ao número parado aumentando o esforço na frente que já estava sendo medida. Mais uma hora de caminhada por semana sobre um sono de cinco horas e um jantar sem estrutura costuma render cansaço, não resultado.

A régua das quatro caixas, antes da próxima queixa

Este é um critério objetivo que você aplica hoje, em cinco minutos, sem depender de ninguém. Ele não resolve o problema, mas responde se você já tem material para afirmar que o corpo não entregou.

Desenhe quatro caixas num papel e escreva um número em cada uma: peso de hoje, circunferência abdominal em centímetros, média de horas de sono da última semana, e número de episódios de comer fora do plano depois das nove da noite.

Agora conte quantas caixas ficaram vazias. Se três das quatro estiverem sem número, a frase "meu corpo não entrega" ainda não é uma conclusão, é uma impressão formada a partir de uma única medida.

Repita as quatro caixas daqui a oito semanas, no mesmo dia da semana e no mesmo horário. Duas medidas separadas por oito semanas valem mais para a conduta do que oitenta pesagens feitas sem as outras três.

A objeção mais forte é a acusação que a pessoa já espera ouvir

Existe uma objeção que quase ninguém coloca na mesa, e ela costuma vir com raiva, porque a pessoa já ouviu isso antes de outros profissionais e saiu se sentindo mentirosa.

"Mas beleza, Luciano, vocês vão dizer que eu como mais do que eu acho que como. Eu já ouvi isso, eu anotei tudo por um mês e continuo achando que faço tudo certo."

A resposta honesta tem duas partes, e nenhuma delas é uma acusação. A primeira é que subestimar o que se come e superestimar o que se gasta é fenômeno descrito e frequente, e acontece com quem está sendo sincero.

Registro incompleto não é mentira. É o sinal de que o plano não tinha estrutura para ser registrado.

Dr. Luciano Alves Neves, CRM-PR 45049, Natuá MedSpa, Curitiba

A segunda parte é que isso, quando aparece, entra como sintoma, e não como causa. Plano com muita variação e sem hora definida é difícil de registrar por natureza, e a dificuldade de registrar não é um defeito de quem registra.

Isso não significa que a conversa acabou aí. Significa que ela começa pela estrutura do plano e pelas frentes ainda não investigadas, e não por uma discussão sobre quem está certo a respeito de um prato de terça-feira.

Onde esta leitura não se aplica

Tem duas situações em que nada disso vale, e elas precisam aparecer no meio do texto, e não numa nota de rodapé no fim da página, porque uma das duas envolve risco real de saúde.

A primeira é a mais simples. Se a rotina tem menos de oito a doze semanas de constância, ainda não é caso de dizer que o corpo não entrega. É cedo, e cobrar veredito de um período curto costuma provocar abandono antes do tempo.

A segunda é a que preocupa. Se junto do número parado existem queda de cabelo importante, tontura, ciclo menstrual ausente, unha quebradiça ou frio constante, o quadro sugere restrição excessiva e pede avaliação médica próxima.

Nesse caso o problema deixou de ser falta de resultado e passou a ser excesso de esforço aplicado sem supervisão. Aumentar qualquer coisa ali é a decisão errada, e ela costuma ser exatamente a decisão que a pessoa toma sozinha.

O que a avaliação faz com essa frase

Na Natuá, em Curitiba, essa queixa entra como ponto de partida e não como conclusão. A consulta leva de uma hora a uma hora e meia porque separar as quatro explicações exige a história inteira, e não um resumo de dez minutos.

A investigação abre frentes que costumam ficar de fora quando o assunto entra direto pela dieta: função da tireoide, sinais de resistência à insulina, quadro de anemia, marcadores de inflamação, sono, e o histórico do que já foi tentado.

Mais de 3.000 pacientes já passaram por esse processo. O que quase nunca aparece é falta de esforço, e o que aparece com frequência é esforço grande aplicado numa direção que ninguém tinha conferido, como descreve o que avaliar quando o peso não responde.

Autoavaliação

Quantas destas frases descrevem os seus últimos doze meses

  • Minha única medida do corpo é o peso da balança.
  • Mantenho a rotina de exercício há mais de três meses.
  • Nunca registrei sono e refeições na mesma semana.
  • Já respondi a um resultado parado aumentando o exercício.
  • Meus exames mais recentes têm mais de doze meses.

Esta autoavaliação organiza a conversa e não faz diagnóstico. Nenhum item aqui indica tratamento, prazo ou resultado individual.

O que este artigo não promete

Este texto não indica dieta, não prescreve exercício, não cita marca de medicamento e não afirma que preencher quatro caixas destrava o resultado. Ele também não substitui avaliação médica nem acompanhamento.

O que ele afirma cabe em uma linha e você confere sozinha: enquanto três das quatro caixas estiverem vazias, a frase sobre o corpo não entregar continua sendo uma impressão, e impressão não muda conduta nenhuma.

Se o esforço está grande há meses e o resultado não aparece, veja o que entra na avaliação e agende sua avaliação em Curitiba.